Quando a emoção vence a execução.
Para aqueles momentos que o fator emocional interfere o cantar.
Estava no instagram um dia desses e me deparei com a postagem de uma cantora lírica que sigo, ela uma cantora de carreira sólida com temporadas na Europa, na América do Norte e aqui no Brasil relatava que teve uma situação embaraçosa num teste: De alguma maneira seu cérebro mandou um comando de que ela não seria capaz de resolver um trecho da ária e no exato momento errou, uma falha que ela já havia corrigido numa mentoria com um professor importante meses atrás.
Ela muito naturalmente se expôs ali, para seus fãs e amigos á procura de respostas. Abriu-se um debate muito humano entre estudantes e cantores profissionais.
E o mais importante: O debate propôs pequenas soluções, dicas e o pensamento crítico sobre o que nos ocorre nesses momentos.
Primeiro que nenhum teste é algo com zero stress, sempre existe uma tensão e expectativa sobre o que irá acontecer. Ainda nos deparamos com bancas de profissionais nada preocupados com o bem estar de quem está ali se colocando corajosamente para ser avaliado. Claro que essa afirmação não vale para todos, já participei de bancas muito justas e leves, mas a maioria das vezes funciona com pouca empatia.
Mesmo nos casos onde a banca oferece um sorriso encorajador ainda têm a inquietação sobre o julgamento, geralmente são profissionais com uma vasta experiencia no ramo, e como artistas temos que lidar diariamente com a rejeição. Nenhuma voz agrada todas as pessoas, ela entendendo muito ou pouco sobre música. Estaremos sempre nessa posição de agradar ou desagradar.
Essa condição têm que ser muito bem elaborada pela classe artística. Nossa forma de trabalhar é abstrata, e pode ter dezenas de compreensões e percepções.
Algumas sugestões ali foram que um cantor deve procurar assistência psicológica assim como um atleta de alta performance. O atleta lida com muita pressão, vencedor e perdedor são palavras vastamente utilizadas em relação aos seus feitos, e para manter a mente no lugar é necessário todo um trabalho elaborado e delicado.
Entender as falhas, aceitar a crítica sem se deprimir e usá-la como propulsor, compreender os limites do corpo cantor, controlar a ansiedade são táticas importantes para enfrentar a carreira.
Acredito que os conservatórios e escolas importantes de música poderiam fornecer alguns psicólogos para auxiliar esse processo, começar na base, ainda enquanto estudantes seria muito benéfico. Porém sabemos que as instituições estão lutando para se manter funcionando, e esse é um dos últimos assuntos a ser pensado por elas nesse momento.
Então temos que encontrar alternativas por nós mesmos.
Um dos pontos citados também que achei interessante (um amigo pianista já havia me dito um dia) é sobre pensar que o teste já foi feito, pensar como se você estivesse no dia após... independente do resultado, o que você gostaria de estar fazendo nesse dia seguinte? Agir assim te faz desfocar do teste e envia a informação de que está tudo bem para o cérebro minimizando a adrenalina e todo o mal estar que pode vir com ela. Diminuindo a importância do teste, você fica mais relaxado.
Que por falar em relaxamento, técnicas de meditação e yoga têm se mostrado muito eficientes para reprogramar sensações tanto no corpo quanto no cérebro, além de ser uma das formas de aprimorar a respiração, tão importante para quem se expressa pela voz.
O tema é vasto, e abordamos aqui apenas o ponto inicial sobre auto-estima, julgamentos, ansiedade pré palco...
A compreensão de que o emocional interfere na execução, e tentar encontrar meios de relaxar é o melhor caminho. Mas repito, isso é só a pequena ponta do iceberg que estamos falando. Não entramos no mérito muscular, de fonação e etc.
Para finalizar é fundamental chegar no entendimento também de que TODOS nós, independente do estágio de estudo da arte estamos sujeitos ás falhas. Vamos errar e está tudo bem! Respira, relaxa e canta!
Ah! Lembrando que todas essas considerações podem ser colocadas em situações diversas como uma apresentação importante, seja na igreja, na escola, no teatro, no barzinho que você canta, na palestra que você têm que apresentar...
E essa conversa também não precisa terminar agora , me digam se querem que ela continue e faço um próximo post, o que acham?









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